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Manuê de bacia E-mail
Escrito por Heitor e Silvia Reali   

O mais brasileiro dos bolos.

No Brasil colonial, as portuguesas se aliaram às africanas na cozinha. E às índias também, na busca de sustitutos para ingredientes que aqui não havia para suas receitas. Sorte nossa.


O ALMANAQUE BRASIL DE CULTURA POPULAR está em festa: cinco anos informando e contagiando os leitores com façanhas de brasileiros ilustres, nossas artes, nossa história contada de maneira alegre, colorida, com ilustrações que nos remetem a um tempo mais lúdico. Aos idealizadores da revista cabe uma citação do poeta Cassiano Ricardo (1895-1972 ) no prefácio de seu Martim Cererê:

...e que não me seduziu outra pretensão senão a de ser brasileiro.

Assim, por que não comemorar o aniversário com o que é considerado o mais antigo bolo brasileiro? E bolo é sinônimo de festa de aniversário.

Segundo o pesquisador paratiense Diumer Mello, o manuê, ou manauê, é tão antigo como Paraty (RJ). Desse doce de farinha de milho teria derivado o manuê de bacia.

Na época colonial, as portuguesas, hábeis doceiras, não encontravam ingredientes para suas ancestrais receitas.

Nem o açúcar, que era exportado e produto de alto luxo.

Então entra em cena a criatividade das africanas que, além de adaptar as receitas aos gêneros locais, acrescentavam toques exóticos como gengibre e noz-moscada.

Substituíram o açúcar por melado no manuê de milho e usaram farinha de trigo, importada, a "farinha do reino".

No fim do século 18, Paraty contava mais de cem engenhos de cana. Melado era farto, sobretudo entre maio e agosto, daí a tradição de fazer o bolo para as festas joaninas.

Por ser massa densa, assavam o bolo em fôrmas-tabuleiro que, até fins do século 19, recebiam o nome de bacia.

Comemore com a gente.

Manuê de Bacia

Ingredientes
1 litro de melado de cana
750 g de farinha de trigo
1 colher (sopa) de manteiga
1 colher (sopa) de gordura de coco
1 colher (sobremesa) de fermento

Modo de fazer
Misture tudo muito bem, despeje em tabuleiro untado e leve para assar no forno. Frio, corte em pedaços em forma de balõezinhos, que, por seu desenho, recordam o losango da bandeira brasileira.

*Artigo publicado em abril de 2004 na comemoração de 5 anos da revista.
 

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