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Por que o sapo tem o couro remendado E-mail
Escrito por redação   

Nem queira saber o espanto das aves ao ver o sapo pulando no céu.

Entre as aves espalhou-se a notícia de festa boa no céu. Imagine só quem disse que ia: o sapo! Logo ele, tão pesadão. Os bichos só faltaram morrer de rir.

Mas o sapo tinha seu plano. Na véspera, procurou o urubu. Depois de longa prosa, se despediu. Em vez de sair, deu uma volta, entrou na viola do urubu e encolheu-se todo.

O tocador pegou o instrumento, amarrou-o a tiracolo e bateu asas para o céu. Chegando lá, arriou a viola. O sapo viu que estava sozinho e ganhou a rua. Nem queira saber o espanto das aves ao ver o sapo pulando no céu. Perguntaram, perguntaram, mas o sapo só fazia conversa mole.

A festa começou, e o sapo tomou parte. Lá pelas tantas, procurou a viola e acomodou-se. Sol saiu, acabou-se a festa. Os convidados voaram de volta.

Numa curva no meio do caminho, o sapo mexeu-se. O urubu, espiando para dentro do instrumento, viu o bicho todo curvado.

- Ah, camarada sapo! É assim que você vai à festa no céu?

E naquelas lonjuras emborcou a viola. O sapo despencou e, enquanto caía, dizia:

Béu-béu.
Se desta eu escapar,
Nunca mais bodas no céu.


Bateu em cima das pedras como um jenipapo. Ficou em pedaços. Nossa Senhora, com pena, juntou tudo, e o sapo reviveu. É por isso que o sapo tem o couro todo cheio de remendos.


SAIBA MAIS
Adaptado de Literatura Oral para a Infância e a Juventude, de Henriquieta Lisboa. Ilustrações de Ricardo Azevedo. (Ed. Fundação Peirópolis, 2002).
 

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