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Revolta dos Malês: dezenas de mortos, centenas de deportados E-mail
Escrito por Angela Pinho   

7 de janeiro - dia da liberdade de cultos

Salvador, novembro de 1834. Com túnicas brancas, africanos muçulmanos, os malês, celebram em torno de uma mesa o Lailat al-Miraj, que comemora a ascensão de Maomé ao céu. As religiões dos negros são ilegais. Como define um chefe de polícia, eles não gozam “de direito de cidadão nem privilégio de estrangeiro”. Um inspetor percebe a agitação e acaba com a festa. A casa, verdadeira mesquita afro, é destruída. Revoltante.

Na madrugada do dia 25 de janeiro de 1835 - fim do Ramadã, mês sagrado do Islã, e dia da festa de Nossa Senhora da Guia - cerca de 600 malês percorreram com espadas as ruas de Salvador gritando palavras de ordem em sua língua. As batalhas mataram 70 rebeldes e 10 soldados.

Não havia pretensão igualitária por trás da revolta; previa-se uma Bahia só de africanos. Depois daquele dia, seguiu-se uma série de buscas por africanos em Salvador. Encontraram amuletos e papéis com rezas escritas em árabe, num tempo em que a sociedade baiana era predominantemente analfabeta.

Quatro africanos foram mortos; os escravos, açoitados; e os libertos, centenas deles, deportados. Mas aquela madrugada, conhecida como a Revolta dos Malês, abalou a escravidão. A notícia teve repercussão internacional. No Brasil, espalhou-se o medo dos negros e principalmente dos africanos, o que reavivou os debates sobre o tráfico e a própria abolição.
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