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Samba do crioulo doido? É não. É o Congo de Oeiras E-mail
Escrito por Natacha Maranhão, de Teresina (PI) - OVERMUNDO   

20 de janeiro - dia de São Sebastião

Os homens se vestem de mulher. Usam até maquiagem. São todos negros. A dança e a música vêm da África e são usadas para louvar santos da Igreja Católica. A Igreja, por sua vez, apoia o movimento, apesar dos maracás, pandeiros, triângulos e bumbos que fazem lembrar as músicas de um culto afro. É o samba do crioulo doido? É não! Falo do Congo de Oeiras.

A música é bem ritmada e a dança é feita com pulinhos e muita ginga, que fazem rodar as saias dos congueiros com seus chapéus afunilados. Congos existem em vários cantos do Brasil, mas poucos se mantêm fiéis às origens africanas como o de Oeiras. As apresentações acontecem durante os festejos de são Sebastião e são Benedito, em janeiro; e de Nossa Senhora do Rosário, em outubro. “A gente canta e dança na frente das igrejas, os padres e os católicos apoiam e aplaudem, mas de longe”, comenta Washington Luís, um dos mais novos do grupo.

Para quem não sabe, Oeiras foi a primeira capital do Piauí e guarda hoje boa parte do patrimônio histórico e cultural do Estado. No bairro do Rosário, o grupo de congo se formou e começou a louvar a santa de devoção dos africanos que viviam escravizados no Brasil, Nossa Senhora do Rosário. Na época, havia duas igrejas na cidade: a de Nossa Senhora das Vitórias (padroeira do Estado), a primeira do Piauí e na qual os negros não podiam entrar; e a de Nossa Senhora do Rosário, que guarda até hoje a marca da segregação – uma linha determina o espaço onde os negros eram obrigados a ficar.

Este ano, a festa acontece em 20 de janeiro, Dia de são Sebastião. Uma boa dica para celebrar.


SAIBA MAIS
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