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Para levar luz à fábrica, Delmiro construiu uma hidrelétrica E-mail
Escrito por Natália Pesciotta   

29 de maio - dia mundial da energia

O comerciante Delmiro Gouveia resolveu botar uma fábrica para funcionar no interior de Alagoas. Produziria linhas de costura, produto então monopolizado pelos ingleses. Em 1913, contudo, havia um detalhe: não existia energia elétrica no Nordeste. Delmiro era marrento. Havia feito fortuna do nada, inaugurado o primeiro shopping brasileiro, no Recife, e até raptado a filha do governador de Pernambuco para casar. Por que não construir uma hidrelétrica? Então foi até a Europa buscar engenheiros e o maquinário, que seria encravado num enorme paredão na cachoeira de Paulo Afonso.

A região, hostil e de difícil acesso, já havia servido de esconderijo a Lampião e seu bando. Reza a lenda que, prontos para descer o cânion num elevador improvisado em cordas de couro, os profissionais estrangeiros acharam que ainda era tempo de desistir. Com uma arma em punho, Delmiro os fez perceber que era tarde. Lenda ou não, Angiquinho foi erguida. Alimentou a Fábrica Estrela e iluminou as casas dos operários, num tempo em que se vivia sob a luz do candeeiro.

Hoje a usina está desativada, mas perto dali, na mesma cachoeira, funciona o Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso, o segundo mais produtivo do Brasil – só perde para Itaipu. Começou a ser construído quase 50 anos depois da empreitada do pioneiro. Delmiro planejava levantar uma segunda usina bem maior quando foi morto, aos 54 anos. O assassinato é obscuro até hoje, mas, depois disso, os donos da inglesa Machine Cotton finalmente conseguiram comprar a Fábrica Estrela. O maquinário foi jogado no São Francisco, a uns 20 quilômetros de Angiquinho – perto da cidade que hoje leva o nome de Delmiro Gouveia.

 

SAIBA MAIS
Delmiro Gouveia: Desenvolvimento com impulso de preservação ambiental, de Frederico Pernambucano (Massangana, 1993 ).

 

 

 

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