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Jango teve de interceder para Garrincha jogar na final E-mail
Escrito por Rafael Capanema   

O jogador havia sofrido um dos poucos cartões vermelhos da sua carreira, mas deu sorte pelo presidente ter sido muito ligado ao futebol.

A Copa do Mundo do Chile, disputada em 1962, aconteceu em um momento político um tanto complicado no Brasil. No ano anterior, os militares haviam tentado impedir a posse de João Goulart, então vice de Jânio Quadros. Nossa situação no futebol, por outro lado, era favorável. A seleção, invicta, com Garrincha e Pelé, era favoritíssima para conquistar o bicampeonato. Mas o destino pode ser traiçoeiro.

Contundido logo no segundo jogo da Copa, Pelé deixou a sorte da seleção canarinho nas pernas tortas de Garrincha. Com belíssimos dribles e cruzamentos, ele ajudou o Brasil a vencer cada uma das etapas rumo à final. Com dois gols na vitória de 4 a 2 contra os anfitriões, nas semifinais, Garrincha garantiu a presença do Brasil no jogo decisivo. Mas, pouco antes do fim da partida, foi expulso. Algo raro em sua carreira - só havia levado cartão vermelho em outras três ocasiões.

Sem suas duas maiores estrelas, o Brasil chegava combalido à final contra a temida seleção da Tchecoslováquia. Isso se não dispuséssemos de uma carta surpresa: o presidente João Goulart, que na juventude fora jogador de futebol no Rio Grande do Sul. Fortemente ligado ao esporte, também havia defendido a aprovação de uma lei nacionalista para impedir a venda de jogadores brasileiros para clubes estrangeiros. Ao lado do ministro da Guerra, marechal Henrique Lott, ou do primeiro-ministro Tancredo Neves, Jango acompanhava todos os jogos da seleção. Sensibilizado, resolveu acionar o primeiro-ministro e os dirigentes do nosso futebol para interceder junto à FIFA e aos organizadores do torneio. Garrincha tinha que ser perdoado.

Em 17 de junho de 1962, o Anjo de Pernas Tortas entrava em campo novamente. Apesar de não marcar nenhum gol, foi essencial na vitória brasileira por 3 a 1. Brasil, bicampeão mundial.


SAIBA MAIS
Estrela Solitária - Um brasileiro chamado Garrincha
, de Ruy Castro (Cia. das Letras, 1995).
 

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