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Na ditadura, Corinthians levanta a bandeira da democracia E-mail
Escrito por Bruno Hoffmann   

25 de outubro - dia da democracia


No começo dos anos 1980, o Corinthians tinha três jogadores que pouco se assemelhavam ao perfil típico de boleiros. Sócrates era um meio-campista formado em Medicina; Wladimir, lateral-esquerdo, comunista; e Casagrande, centroavante, amante de rock e teatro. Juntos, encabeçaram um movimento que entrou para a história do futebol e da política brasileira: a Democracia Corintiana.

Valendo-se da saída do presidente Vicente Matheus, os jogadores propuserem aos novos dirigentes  uma nova forma de gerir o clube. Todas as decisões passariam a ser tomadas por voto – desde o horário de treinamento até a escalação da equipe. E o voto do presidente teria o mesmo peso do que o de qualquer reserva.

A concentração – ou “campo de concentração”, como definia Sócrates – foi praticamente abolida. Os jogadores entravam com faixas alusivas à política nacional, como “Ganhar ou perder, mas sempre com democracia” e “Quero votar pra presidente do Brasil”.

Havia quem não gostasse nada daquele papo. As maiores resistências vieram do goleiro Leão, que se recusava a votar, e de Vicente Matheus, que queria voltar ao poder. Mas o bicampeonato paulista de 1982 e 1983 dava poucos argumentos aos desafetos.

A história acabou em 1985, com a volta da chapa favorável a Matheus à presidência. Ironicamente, no mesmo ano em que o Brasil via-se livre dos militares. Mas, para os jogadores da época, o episódio serviu de ensinamento para toda a vida.  “Depois de ter passado pela Democracia Corintiana, nunca mais tive medo de falar a verdade, de defender o que acredito”, afirmou o zagueiro Juninho.


SAIBA MAIS
Assista ao lado a uma reportagem sobre a Democracia Corintiana.

 

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