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Marinheiros esperaram um século pela anistia E-mail
Escrito por Natália Pesciotta   

Revolta da Chibata exigia que os trabalhadores negros não sofressem mais castigos físicos na Marinha.

O presidente Hermes da Fonseca assistia a uma ópera quando um tiro de canhão vindo dos mares sacudiu o Rio de Janeiro, em 22 de novembro de 1910. A gota d’água para o estouro da revolta dos marinheiros, quase todos pobres e negros, foi assistir a um colega levar 250 chibatadas. No dia seguinte, os trabalhadores já tinham sob seu comando três navios de guerra. Os encouraçados dançavam com maestria na Guanabara, apontando para o Rio de Janeiro. Exigiam o fim dos castigos físicos na Marinha.

A guerra pairou no ar, mas não aconteceu. Os parlamentares decidiram acatar o pedido dos marinheiros. Só que no fim das contas a anistia prometida durante a negociação de nada valeu. Os marinheiros foram expulsos da corporação e os líderes – João Cândido, entre eles – acabaram num cárcere subterrâneo. Só o Almirante Negro não morreu de fome.

Apesar do acontecido completar exatos 100 anos, faz apenas dois que João e seus companheiros foram anistiados – e os descendentes indenizados pelo governo federal. Mas o caso ainda não é unanimidade. A Marinha classifica a rebelião como “ilegal, imoral e ilegítima” – “triste capítulo da história”.

Escrito pelo jornalista Edmar Morel, o livro A Revolta da Chibata – que batizou o episódio – entrou várias vezes na lista de mais vendidos do País, ao lado de romances de Jorge Amado. Por sua vez, João Bosco e Adir Blanc encarregaram-se de eternizar a rebelião em O Mestre-Salas dos Mares: Glória a todas as lutas inglórias / Que através da nossa história / Não esquecemos jamais / Salve o almirante negro / Que tem por monumento / As pedras pisadas do cais.


SAIBA MAIS
Acesse a história de João Cândido no Projeto Memória.

 

 

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