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Engenheiro de 29 anos acaba com a seca carioca em seis dias E-mail
Escrito por Danilo Ribeiro Gallucci   

22 de março - dia nacional da água

Março de 1889. O Rio de Janeiro amarga uma seca terrível. O crescimento dos últimos anos e o abrasador verão carioca detonam uma falta de água sem precedentes. Para piorar, epidemias de cólera, varíola e malária infestam os bairros mais pobres.

O povo protesta. Rui Barbosa, então redator-chefe do Diário de Notícias, encabeça as críticas às autoridades. O Águia de Haia escreve nada menos que oito artigos criticando o ministro responsável pela questão, Rodrigo Silva. No primeiro, dramaticamente intitulado O Terror, brada: A origem predominante do mal, todos o percebem - a seca. O remédio, todos proclamam - água, água, água.

Com ironia, diz que Rodrigo Silva está contando só com a misericórdia de ‘Santo Equinócio', taumaturgo habitualmente chuvoso. E lança o desafio: se fosse da vontade do ministro, o mesmo duplicaria a quantidade de água da cidade em apenas seis dias. Rodrigo rebate a provocação: Indiquem os meios e o profissional capaz de realizar esse milagre.

Uma empresa de engenharia, a Buarque & Maia, oferece um plano para o governo. Propõe-se entregar a obra em 40 dias. Eis que a carta de um mancebo de apenas 29 anos chega à mesa de Rui Barbosa. Seu remetente é André Gustavo Paulo de Frontin, bacharel em Engenharia e Ciências Físicas e Matemáticas pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Na carta, Frontin explica as razões pelas quais o plano da Buarque & Maia era equivocado. E responde ao desafio proposto por Rui: Assumo a responsabilidade de tal trabalho [...] Se esta proposta for aceita amanhã, o suprimento de água jorrará na cidade no próximo dia 23.

O engenheiro assina contrato de risco com o Governo Imperial: a cada dia de atraso, Frontin seria multado em 10 contos de réis. Caso excedesse três dias, perderia o direito de continuar a obra. Fenômenos climáticos ou atrasos do governo não serviriam como desculpas. E as duas coisas aconteceram. Temporais caíram sobre a cidade, transformando em lama as estradas por onde passavam mulas carregando tubos de ferro fundido. Despachos emitidos com urgência tiveram sua entrega retardada pelo Telégrafo Nacional.

Instala-se o burburinho nos cafés, discussões acaloradas pela cidade. Todos se agitam com a expectativa do "milagre da água em seis dias". Alguns crêem na façanha; para outros, não passa de quixotada de um jovem engenheiro.

23 de março de 1889
. Frontin entrega a obra concluída, exatamente como prometera. Mais de 15 milhões de litros de água completam o abastecimento do Rio de Janeiro. Na edição do Diário de Notícias do dia seguinte, Rui Barbosa rende-se ao engenheiro: Um país que tem filhos tais pode confiar no seu futuro.


SAIBA MAIS
Presença de Paulo de Frontin, de Luiz Dodsworth Martins (Livraria Freitas Bastos, 1966).

 

 

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