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Ferrovia do Diabo E-mail
Escrito por João Rocha   

30 de abril - dia do ferroviário

Em 1867, o governo assina tratado com a Bolívia para construir uma ferrovia entre Guajará-Mirim, então Mato Grosso, e porto de Santo Antônio. Objetivo: escoar a borracha.

Cinco anos depois, uma construtora de Londres, Inglaterra, começa os trabalhos. Mosquitos, formigas-de-fogo, malária, flechadas de índios. A equipe é dizimada. Rescisão de contrato.

Justificativa: a região era “antro de podridão, onde nossos homens morrem como moscas”.

Abandonam o projeto.

Em 1903, o Tratado de Petrópolis encerra disputa entre seringueiros dos dois países. Brasil fica com o Acre e retoma as obras, a cargo da norte-americana May, Jeckyll & Randolph, que constitui a Madeira-Mamoré Railway Company. Gente de toda parte vem trabalhar ali: árabes, russos, alemães, espanhóis, cubanos. Os últimos metros de trilho foram assentados em abril de 1912. O presidente americano Roosevelt afirma:

“As duas maiores obras realizadas na América são o Canal do Panamá e a Madeira-Mamoré.”

Nas comemorações, ninguém disse que a construção bateu recordes de acidentes de trabalho. Dos 30 mil operários, morreram 6 mil: um em cada cinco. Não é à toa que a Madeira-Mamoré ganhou apelido de Ferrovia do Diabo. Em 1972, foi desativada.


SAIBA MAIS
A Ferrovia do Diabo, de Manoel Rodrigues Ferreira (Ed. Melhoramentos, 1981).
 

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