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Dom Obá queria monarquia e igualdade social E-mail
Escrito por Danilo Ribeiro Gallucci   

12 de junho - dia da raça (RJ e Portugal)

No Rio de Janeiro, em fins do século 19, Cândido da Fonseca Galvão, ou Dom Obá 2º, torna-se um dos pioneiros na luta pela igualdade racial no Brasil. Sua origem é pouco comum: filho de escravos e neto do alafin (rei) africano Abiodun. Ganha destaque em meio à população negra. Andava com farda de gala numa época em que poucos negros andavam calçados.

Nascido em 1845, alista-se como voluntário na Guerra do Paraguai, enquanto escravos eram recrutados à força. Tinha verdadeira admiração por Pedro 2º. Era o primeiro a chegar em suas audiências públicas. Falava diretamente com a realeza para conseguir melhores condições de vida para os negros. No último aniversário que o imperador comemorou no Brasil, liderou uma manifestação que invadiu o Palácio Imperial para apoiar a monarquia.

O imperador reconhecia seus feitos em prol da nação durante a Guerra e dava ouvidos a suas súplicas. Defendia maior participação política dos negros e o fim dos castigos corporais. Dizia orgulhar-se “de preto ser”. Era “amigo dos brancos”, mas não de todos: só dos que sabiam “que o valor não está na cor”. Terminava seus artigos com expressões em latim, iorubá e português, como prova de sua identidade racial. As opiniões se dividiam: para uns, era amalucado. Escravos e libertos chamavam-no respeitosamente de Príncipe Obá, uma referência para os que buscavam a liberdade.


SAIBA MAIS
Dom Obá 2º D’África, o Príncipe do Povo. Vida, tempo e pensamento de um homem livre de cor
, de Eduardo Silva (Companhia das Letras,1997).
 

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