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Arroubo perdulário deixou apenas duas testemunhas de pé E-mail
Escrito por Maria Fernanda   

A corte portuguesa encomendou uma série de reformas urbanísticas no Rio de Janeiro para abrigar a Exposição Nacional, a fim de comemorar os 100 anos da entrada do Brasil no comércio internacional.

Dias depois da chegada da corte portuguesa ao Brasil, Dom João VI decretou o estabelecimento de uma nova estrutura alfandegária. Na teoria, era a abertura dos portos brasileiros. Na prática, uma forma de agradar a Inglaterra – potência econômica e militar que garantia costas-quentes aos portugueses. Além disso, era uma maneira de salvaguardar as fronteiras marítimas da Colônia contra o Império de Napoleão.

Para comemorar os 100 anos da entrada do Brasil no circuito comercial do planeta e da vinda da corte portuguesa, foi inaugurada, em 11 de agosto de 1908, a Exposição Nacional. Concebida nos moldes das exposições universais que marcaram o avanço tecnológico e urbanístico dos grandes centros europeus, o evento serviu de pretexto para apresentar ao mundo a modernidade da recém-fundada República.

A exposição aconteceu na Praia Vermelha, Rio de Janeiro, de onde hoje parte o bondinho em direção ao Pão de Açúcar. Uma série de reformas urbanísticas modificou por completo a região, que recebeu imponentes construções para abrigar os estandes que representavam a produção econômica nacional. Cafés, restaurantes e até uma via férrea para transportar os visitantes foram livremente inspirados na vanguarda arquitetônica europeia.

No entanto, pouco sobrou do arroubo perdulário. A maioria dos 20 pavilhões construídos para a exposição foi demolida logo nos anos seguintes. De muitos dos ostensivos edifícios se têm notícias só em relatos e registros iconográficos. Apenas duas construções estão de pé e mantêm as características originais. A mais importante é o Palácio dos Estados, projetado para ser o pavilhão principal. Hoje ele abriga o Departamento Nacional de Produção Mineral. Outro prédio que resistiu a esses 100 anos foi o Pavilhão das Máquinas, hoje ocupado pela Escola de Teatro da UniRio.

SAIBA MAIS

Entre Palácios e Pavilhões: A arquitetura efêmera da Exposição Nacional de 1908, de Ruth Levy (EBA Publicações, 2008).

*Publicada em agosto de 2008.

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