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Se escravo tem F no ombro, pode cortar orelha E-mail
Escrito por Natália Pesciotta   

Tatuagem em brasa era mais que tortura: servia como sinal de reincidência dos negros fugitivos.

Os quilombos tiravam o sono dos senhores de escravos mesmo com Palmares, o maior deles, já destruído. Por isso, dom João V, El Rei, expediu um alvará, em 3 de março de 1741, com o objetivo de acabar de vez com os “insultos que cometem os calhambolas [negros fugidos] a fazer excesso de se juntar”.

Escravo recapturado em quilombo receberia com ferro quente uma marca nos ombros: “F”, de fugitivo. Mais que tortura, a tatuagem de brasa servia como sinal de reincidência. Os capitães do mato podiam reconhecer os negros pegos pela segunda vez, que tinham uma orelha mutilada, seguindo o alvará do rei.

As punições orientadas pelo ofício só foram extintas mais de 90 anos depois. A proibição veio com o primeiro conjunto de regras penais brasileiras, o Código Criminal do Império. Durante 56 anos ele ainda conviveria com a escravatura.


SAIBA MAIS
A Ordem do Castigo no Brasil
, de José Luís Solazzi (Imaginário, 2007).
 

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