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Apaixonado, Nelson Cavaquinho gravou samba para sem-teto E-mail
Escrito por Bruno Hoffmann   

14 de fevereiro – dia do amor

Um dos grandes amores da vida do boêmio sambista Nelson Cavaquinho se chamava Lígia. Era uma sem-teto que dormia aos pés da estátua de dom Pedro 1º na praça Tiradentes, no centro do Rio. Os dois ficavam horas conversando, tomando cachaça, sentados à beira da escultura. Não raro adormeciam, só acordando com os raios do sol – ou sob a ordem de algum policial mal-humorado.

A fascinação de Nelson pela mulher chegou a tal ponto que o sambista resolveu tatuar o nome de Lígia em seu ombro direito. Na mesma época, o parceiro Guilherme de Brito havia feito o samba Tatuagem: O meu único fracasso / Está na tatuagem do meu braço... Guilherme fez a canção por estar cansado de sofrer preconceito pelo desenho de um índio que carregava no corpo.

Um dia até tentou apagá-lo, esfregando castanha de caju no local – o que só serviu para deixar o índio com uma cicatriz na testa.

Como os dois compositores tinham um acordo, Nelson entrou como parceiro da música, além de Paulo Gesta. O intérprete de A Flor e o Espinho (também da dupla, agora com Alcides Caminha, o Zéfiro) viu nas palavras uma forma de homenagear a amada, uma mulher que levava uma vida dura, vítima de discriminação de tudo quanto é lado. Já para Guilherme de Brito, a letra narrava o preconceito que ele próprio sofrera. Pouco importa. Os versos finais, para os quais Nelson Cavaquinho deu voz em disco de 1972, cabem para os dois casos:  Muita gente tem o corpo tão bonito / Mas tem a alma toda tatuada.


SAIBA MAIS

Clique no vídeo ao lado e ouça o samba Tatuagem.
nelson_cavaquinho
 

Comentários 

 
#1 Pensamento Baiano 17-04-2011 18:12
Felizmente o Brasil evolui a cada dia, e preconceito vai diminuindo!
Com mais um pouco de determinação, quem sabe, chegaremos a perfeição!?
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