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Noel cantou com graça o Brasil de tanga E-mail
Escrito por Rafael Capanema   

A canção do novato Noel Rosa era de longe a mais popular, mas não foi a música do Carnaval.

Dezembro de 1930
. Alto-falantes espalhados pelo Rio reproduzem os sambas e as marchas que animarão o Carnaval do ano seguinte. Com que Roupa?, do novato Noel Rosa, era de longe a mais popular. A letra impecável, as rimas raras e o refrão memorável formavam uma composição original em todos os sentidos - síntese do talento de Noel para tratar com graça e inteligência os assuntos sérios. “É sobre o Brasil de tanga”, explicou. O País sofria as consequências da quebra da Bolsa de Nova Iorque, em 1929.

O compositor fazia parte do Bando de Tangarás, conjunto que reunia outras figuras extraordinárias da nossa música: Almirante, João de Barro, Henrique Brito e Alvinho. Entusiasmados com o samba, os tangarás planejavam que ele fosse o carro-chefe do grupo. Mas antes era preciso passar a música para a pauta. O grupo foi até Homero Dornellas, compositor e regente que auxiliava músicos que não escreviam partitura. Ele pede que Noel cante a música, no que é atendido: “Agora vou mudar minha conduta…”

Dornellas percebe que a melodia era quase idêntica à do Hino Nacional. “Podem até te prender. Não é permitido fazer brincadeiras com o Hino Nacional”, alertou. Noel ficou assustado, mas a solução era simples: Dornellas apenas trocou algumas notas, evitando a semelhança. Com a partitura pronta, era só partir para a gravação.

Mas no meio do caminho tinha uma pedra: no mesmo dia, Dornellas mostrou aos tangarás uma composição sua incompleta: Na Pavuna. Líder do grupo, Almirante se empolgou com a música. Aceitou formar parceria com Dornellas e decretou: “Este vai ser o Carnaval do Na Pavuna”.

Os tangarás nunca gravaram Com que Roupa?. Foi Noel quem o fez mais tarde, acompanhado do Bando Regional. Sucesso estrondoso, inspirou paródias, propagandas, esportes, moda. Nascia uma das maiores estrelas da música brasileira.


SAIBA MAIS
Noel Rosa - Uma biografia
, de João Máximo e Carlos Didier (Linha Gráfica/UnB, 1990).

 

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