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Tropicalistas revolucionam MPB com guitarras, Melhoral e Vicente Celestino E-mail
Escrito por Rafael Capanema   

20 de abril - dia do disco

Festival da Record de 1967. Embaladas por guitarras elétricas, Domingo no Parque, de Gilberto Gil, e Alegria, Alegria, de Caetano Veloso, prenunciam a revolução que estava por vir. Ao longo de maio de 1968, os dois compositores, mais Gal Costa, Tom Zé, Os Mutantes e Nara Leão gravam Tropicália ou Panis et Circencis, marco fundamental do movimento. Completam o time o maestro Rogério Duprat e os poetas Torquato Neto e Capinam. Manoel Barenbein é o produtor do disco.

Na geleia geral dos tropicalistas, misturavam-se bossa nova, baião, música pop, salsa, brega. O clima no estúdio era de total descontração. Para a canção Panis et Circencis ("Essas pessoas na sala de jantar / São ocupadas em nascer e morrer"), todos os músicos e técnicos foram convocados a encenar um jantar em família.

Com a valsa Danúbio Azul ao fundo, ouvem-se vozes, ruídos de pratos, copos e talheres. Os arranjos de Duprat sintetizam a ousadia e a irreverência dos tropicalistas. Em Parque Industrial, de Tom Zé, trechos do Hino Nacional se alternam com o jingle do analgésico Melhoral. A versão de Coração Materno, dramalhão de Vicente Celestino, contrapõe a interpretação fria de Caetano à grandiosidade do arranjo de cordas.

A emblemática foto da capa foi feita quase às pressas, na casa do fotógrafo Olivier Perroy. Como não puderam participar da seção, Nara e Capinam foram representados por retratos. As roupas exóticas e a figura de Duprat segurando um penico, tal como uma xícara de chá, completam o cenário deste que é um clássico absoluto da nossa música.

SAIBA MAIS
Tropicália - A história de uma revolução musical, de Carlos Calado (Editora 34, 2004).

 

 

 

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