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Misterioso encontro reuniu o fino do samba e da intelectualidade E-mail
Escrito por Mariana Albanese   

2 de dezembro - dia nacional do samba

Em seu diário de juventude, escrito quando não era mais tão jovem assim, Gilberto Freyre descreve um encontro peculiar. Era 1926: Uma noitada de violão, com alguma cachaça e com os brasileiríssimos Pixinguinha, Patrício [Teixeira] e Donga. 

Além deles, o historiador Sérgio Buarque de Holanda, o jornalista Prudente de Moraes Neto, o pianista Luciano Gallet. Dessa reunião, num bar carioca, pouco se sabe. O mistério chamou a atenção do antropólogo Hermano Vianna, que pesquisava sobre questões de identidade nacional para sua tese de doutorado, que seria sobre rock. Acabou deixando a ideia inicial de lado para decifrar o significado da reunião de alguns dos nossos maiores intelectuais e sambistas.

Originalmente chamada A Descoberta do Samba, a tese virou livro, O Mistério do Samba.  "Uma vez encontrei o Chico Buarque e contei que estava escrevendo um livro que falava de seu pai em um encontro com o Pixinguinha. E ele: ‘Mas meu pai nunca me falou sobre isso, não deve ter acontecido'".

Aconteceu. Era a primeira viagem de Freyre ao Rio, depois de estudar nos Estados Unidos e na Europa.
Na então capital federal, encontrou Sérgio Buarque, que conhecia por correspondência. O historiador, por sua vez, foi apresentado a Donga pelo poeta francês Blaise Cendrars, que acompanhou os modernistas em suas viagens pelo País. Foi realmente um encontro misterioso, tanto para os poucos que dele ficaram sabendo, como pelas improváveis ligações que o fizeram acontecer.


SAIBA MAIS
O Mistério do Samba, Hermano Vianna (Jorge Zahar, 1999).

 

 

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