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"A idade não regula. O que regula é o rebolado" E-mail
Escrito por Angela Pinho   

2 de dezembro - dia nacional do samba

O par ficou admirável. A graça da pretinha se esgueirando ante o bumbo avançado com violência, se aproximando quando ele se retirava no avanço e recuo de obrigação, era mesmo uma graça dominadora. Quem diz é Mário de Andrade, que em 1931 viu uma roda de samba em Pirapora do Bom Jesus. Hoje mais conhecida pelas espumas de poluição no trecho do Tietê que banha a cidade, a 54 quilômetros de São Paulo, é marco na história do samba paulista.

Era ponto de encontro de sambistas como Geraldo Filme, Madrinha Eunice e outros que seguiram para a capital. Durante as festas religiosas que atraíam milhares de romeiros, negros se reuniam à noite para tocar e dançar o ritmo que a Igreja e a polícia consideravam "indecente". Os sambistas provocavam: Se o guarda soubesse / o gosto que o samba tem / largava a delegacia / e vinha sambar também.

A repressão acabou e os brancos entraram na roda. Mas o modelo carioca se impôs. Hoje, o samba de Pirapora luta para marcar presença. O Espaço Cultural Samba Paulista Vivo Honorato Missé, fundado em 2003, expõe fotos e faz apresentações. Unindo de agricultores a aposentados e jovens, um grupo lembra o batuque antigo que, se depender deles, não acaba. Nas palavras da sambista Maria Esther: "Tenho 82 anos, mas ainda dá pra dançar. A idade não regula. O que regula é o rebolado."


SAIBA MAIS

"Samba Rural Paulista", de Mário de Andrade, em Antologia do Negro Brasileiro (Agir, 2005).
 

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