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Mercados viraram trincheiras dos fiscais do Sarney E-mail
Escrito por Natália Pesciotta   

11 de novembro - dia do supermercado

Fazer compras pode parecer um programa tranquilo, mas em 1986 ir ao mercado chegou a ser como ir para a briga. Pessoas armavam-se com uma cartela de preços do governo e incorporavam o que o presidente José Sarney chamou de “guerra de vida ou morte contra a inflação”. Se o preço de algum produto tivesse subido, era hora da batalha.

Sarney, o primeiro presidente civil empossado depois do regime militar, apostou numa fórmula drástica para acabar com a inflação descontrolada que tirava o sono dos brasileiros. O Plano Cruzado, entre outras medidas, foi direto ao ponto: por um ano, o comércio estava proibido de aumentar o preço das mercadorias. Num tempo em que a inflação atingia 300% ao mês, os valores dos produtos do dia a dia – arroz, feijão, macarrão – foram congelados numa tabela.

Os jornais diários acostumaram-se a mostrar cenas nos supermercados: uma pessoa descobria um produto remarcado, avisava às outras e todos gritavam que o estabelecimento devia ser fechado. Havia até casos de depredamento e saques. Os fiscais do Sarney, como ficaram conhecidos os consumidores mais empenhados, chamavam a polícia, que decretava ordem de prisão aos responsáveis pela remarcação.

O congelamento, contudo, não surtiu efeito por muito tempo. Os produtos começaram a sumir das prateleiras e a população acabava pagando por eles o ágio cobrado pelos supermercadistas.


SAIBA MAIS
Assista ao lado a um "fiscal do Sarney" em ação, numa das reportagens da época.
 

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