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109 - Maio de 2008


TEXTO: DANILO RIBEIRO GALLUCCI
ARTE: GUILHERME RESENDE
FOTOS: CLÁUDIO LARANGEIRA

O primeiro carro a ser produzido no Brasil, temos que reconhecer, era meio estranho: tinha motor de motocicleta, formato ovóide, uma única porta dianteira e lugar para apenas duas pessoas. O carrinho, capaz de rodar 25 quilômetros por litro, era adequado à realidade italiana do pós-guerra, mas foi abandonado pela fabricante Iso em 1956, mesmo ano em que a Romi, de Santa Bárbara d’Oeste, São Paulo, iniciava a produção da versão ítalo-brasileira. Contradições da vida: JK, presidente impulsionador de nossa indústria automobilística – e que chegou a Brasília, depois da Caravana de Integração Nacional, a bordo de uma Romi-Isetta – foi o responsável pela falência do modelo, ao conceder facilidades fi scais apenas de produção da versão ítalo-brasileira. Contradições da vida: JK, presidente impulsionador de nossa indústria automobilística – e que chegou a Brasília, depois da Caravana de Integração Nacional, a bordo de uma Romi-Isetta – foi o responsável pela falência do modelo, ao conceder facilidades fiscais apenas para automóveis com mais de três lugares e duas portas.

Se os carros, além do samba e do futebol, são paixão nacional, não há pesquisa que comprove. Talvez estejam mais para necessidade nacional, vagando nas frestas das grandes cidades brasileiras que nunca deram ao transporte público – ou mesmo ao individual, a pé ou de bicicleta – a devida atenção. Mas não é desses veículos que entopem ruas e largas avenidas que vamos aqui falar nesse Dia do Automóvel, celebrado todo ano em 13 de maio. E sim de carrinhos e carrões que fi zeram a cabeça de diversas gerações desde que Santos-Dumont (sim, o pai da aviação) mandou trazer o primeiro carro que desfi lou pelas ruas brasileiras. De lá até que fosse fabricado o primeiro veículo em série no Brasil muito tempo se passou. E apesar de toda a cerimônia – com JK chegando a Brasília a bordo dela e tudo mais – a Romi-Isetta não viveu nem mais dois anos para contar história. Mas entrou para a história. Assim como o Dodginho, o DKW, o Galaxie, o Miura e, claro, o Fusca.

Carros projetados no Brasil ou que, apesar de terem vindo de fora, se ajustaram às nossas linhas de montagem e por aqui se sentiram tão em casa que podemos dizê-los naturalizados brasileiros. E para completar essa festa de nostalgia, eles estão todos apresentados no formato de um jogo de cartas que divertiu gerações de afi cionados pelas máquinas sobre rodas, o Super Trunfo – embora não se tenha notícia de uma coleção só com carros brasileiros. Aproveite: recorde, compare suas características; copie e recorte as cartas, se quiser ir mais a fundo. Talvez até seja uma Boa diversão para quando estivermos presos num engarrafamento.

Primeiro carro tinha fornalha , caldeira e chaminé

Quando Alberto Santos-Dumont avistou pela primeira vez um carro com motor de combustão interna, na França, em 1891, os automóveis eram a novidade do momento: “Parei diante dele como pregado pelo destino”, contou o pai da aviação. Acabou comprando um exemplar e trazendo para o Brasil. Foi o primeiro carro a circular por estas bandas. Fabricado pela Daimler, possuía fornalha, caldeira e chaminé. Anos depois, Alberto fez com que seu irmão Henrique lhe comprasse um outro automóvel para utilizar em suas experiências aeronáuticas, que culminariam, em 1906, com o 14-Bis.

Combustível direto da pastelaria

No início de 2007, o engenheiro mecânico Thomas Fendel homologou o primeiro carro movido a óleo de cozinha do Brasil. Depois de algumas tentativas fracassadas junto ao Detran, conseguiu uma ação judicial que autorizava seu Passat Variant 1995 a andar pelas ruas legalmente. O mesmo óleo que se joga no lixo depois de fritar uma batata ou um acarajé, Thomas aproveita para movimentar seu veículo. Serve óleo de soja, dendê, mamona, babaçu. Com essa tecnologia, garante o engenheiro, pode rodar até 50 quilômetros por litro.

Veículo pé de cana

O primeiro carro a álcool do País, quem diria, ganhou as ruas nos idos de 1925. O Ford adaptado foi colocado à prova na primeira corrida do Automóvel Clube do Brasil, no Circuito da Gávea, Rio de Janeiro. A mistura contava com quase 70% de álcool hidratado. Era quase aguardente. E parece que o carro gostou da mistura: fez uma média de cinco quilômetros por litro.

SAIBA MAIS
Alguns Aspectos da História do Automóvel no Brasi l, de Fabio St einb ruch (Tempo e Memória, 2005). • Gurge l – Um sonho forjado em fibra, de Lélis Caldeira (Labortexto, 2004). • A lmanaq ue do Fusca, de Fabio de Sousa Kataoka (Ediouro, 2006). • Site da revista Quatro Rodas: www.quatrorodas.abril.com.br

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