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Xeque-mate na deficiência visual E-mail
Escrito por Diego Norte   

19 de novembro - dia internacional do xadrez

Há cinco anos, o enxadrista Roberto Carlos Hengles perdeu a visão. Pensou: carreira encerrada. Mal sabia que estava apenas recomeçando. Aprendeu a jogar na infância, na Biblioteca Municipal de Itapecerica da Serra, Grande São Paulo. Gostou do esporte mental e aos 18 participava de torneios profissionais. Conseguiu títulos e resultados expressivos, mas sobreveio o acidente automobilístico que lhe tirou a visão.

"Fiquei deprimido, me sentia incapaz."

Com incentivo de associações de apoio a deficientes físicos, voltou a praticar e estudar xadrez. Logo conquistou o título brasileiro para deficientes visuais. Ganhou bolsa de estudos, formou-se recentemente em Direito e hoje trabalha no Fórum de Itapecerica.

"O xadrez melhora a memória, a criatividade e o raciocínio lógico. Me ajudou muito durante a faculdade."

Ele disputa todo tipo de torneio, para deficientes ou não. Num pan-americano, contra adversários que enxergam, conquistou o terceiro lugar; feito heróico. Diz que sente certo preconceito, pois há enxadristas que não admitem perder para um cego. Outros vão mais longe, dizem que ele leva vantagem pois escuta a jogada narrada pelo juiz. A alegação cai por terra: os dois jogadores ouvem a narração. Reage com bom humor:

"Ainda vou levar tapa-olhos para os que reclamam, assim vão ter vantagem também."
 

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