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Poeta-cantor-compositor, e faz tudo com maestria E-mail
Escrito por Janaina Abreu   

Paulo César Pinheiro surpreende no primeiro álbum sem parcerias e traz três discos em um.

Em 35 anos de carreira, cerca de 1.500 composições, com mais de cem parceiros diferentes, em quase 300 discos, cantadas por mais de 120 intérpretes. Números da máquina poético-musical chamada Paulo César Pinheiro, que ainda soma oito discos gravados e acaba de lançar o primeiro disco solo, sem parcerias: O Lamento do Samba.

Nesse trabalho, um dos maiores letristas da música brasileira novamente surpreende com números. É 3 em 1. Poeta, melodista e intérprete.

Ousadia para quem compôs ao lado de grandes músicos, como Baden Powell, Tom Jobim, Rafael Rabello ou João Nogueira. E que tem em Clara Nunes, Elis Regina e Elizete Cardoso algumas das mais sonoras vozes de sua obra.

O repertório, todo de sambas inéditos, revela um poeta nostálgico que se manifesta em defesa das raízes do gênero.

Nos dias de hoje / O samba ficou diferente / Não tem mais dolência / Mudou a cadência. O tom de solidão, descrença, perda e tristeza vai mostrando-se ao longo do disco. Sei que um samba de tristeza / Para sempre o povo canta / Mas a dor que eu trago presa / Nunca vai caber num samba.

Como intérprete, celebra sua poesia com toda a melancolia que permeia o disco. Para o parceiro Mauricio Carrilho, "Paulo César canta com aquela voz rouca, de filho de Nelson Cavaquinho".

Como melodista, impressiona pela forma espontânea com que equilibra sofisticação e simplicidade nas 14 faixas do disco, todas arranjadas por Mauricio Carrilho e executadas por instrumentistas de renome.

O Lamento do Samba está aí para comprovar que Paulo César Pinheiro é mais que um grande poeta. É um mestre da palavra e da sonoridade.
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