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Seiva do Brasil nos versos E-mail
Escrito por Heitor e Silvia Reali   

Espírito de brasilidade, em prosa ou verso. Cassiano Ricardo se expressa, como disse o escritor Nereu Corrêa, em fala "seivosamente brasileira".

Paulista de São José dos Campos, nasceu em 26 de julho de 1895. Foi advogado, jornalista, secretário de governo, diretor de jornal, adido comercial em Paris e mais jovem membro da Academia Brasileira de Letras. Cassiano publicou mais de 20 títulos, entre eles Vamos Caçar Papagaios, Deixa Estar, Jacaré; e os ensaios O Brasil no Original, Marcha para Oeste e O Tratado de Petrópolis.

Tentando quebrar nossa aculturação europeia, participa da Semana de Arte Moderna de 1922, que propunha repensar a brasilidade. Funda com outros poetas, entre eles Menotti Del Picchia, o Grupo Verde-Amarelo. Visa implantar uma renovação de costumes para as artes brasileiras.

Em Martim Cererê (1928), Cassiano conta a história do Brasil, a formação do brasileiro, mas apenas "a parte mágica".

Pinta índios com seu sol de plumas à cabeça; a primeira pergunta do marinheiro português - Faça o favor, é aqui que mora Dona Uiara?. Descreve o bandeirante como rústico rompe-mundo, fura-mato com sapatões de couro e fôlego de gato. O Anhanguera é o valentão que proclama:

Nesse sertão de Goiás, apago a Lua quando quero e acendo o Sol quando me apraz. Quando passo, o chão faísca, quando espirro o céu corisca.

Já na São Paulo dos homens que acordam mais cedo no mundo, o poema Café Expresso, um dos mais elogiados, contrapõe o presente do homem urbano e a memória da infância no campo.

A poeta chilena Gabriela Mistral (1888-1958) declarou:

"Nenhuma alegria maior para mim do que este poema da raça. Sua obra admirável valia, por si só, minha viagem ao Brasil."

Seus escritos nos ajudam a refletir sobre nós e tocam fundo nossa alma. Versos seus estão gravados em dois de nossos principais monumentos, o das Bandeiras, em São Paulo, e o dos Imigrantes, em Caxias do Sul, RS.

Cassiano morreu no Rio, em 14 de janeiro de 1974. 

Café Expresso
Café expresso - está escrito na porta,
Entro com muita pressa. Meio tonto,
por haver acordado tão cedo...
E pronto! Parece um brinquedo...
Cai o café na xícara pra gente maquinalmente

E eu sinto o gosto, o aroma, o sangue quente de São Paulo
nesta pequena noite líquida e cheirosa
que é minha xícara de café.
A minha xícara de café de todas as coisas que vi na fazenda e me
vêm à memória apagada...
 

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