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São Betinho, padroeiro do Almanaque E-mail
Escrito por redação   

Santo do mês, e de todos os outros meses.

Se, como dizem, a voz do povo é a voz de Deus, um almanaque de cultura popular deve lá ter seus privilégios. E se, ainda por cima, Deus é brasileiro, ele certamente há de perdoar o atentado à liturgia. Sem qualquer consulta a bispo, tratamos de canonizar Betinho. Veja se ele não merece.

Nasce hemofílico. Na adolescência, contrai tuberculose. Passa dos 15 aos 18 anos isolado do mundo. Curado, dedica-se às Ciências Sociais. Milita na Juventude Estudantil Católica, depois na Juventude Universitária Católica. Ao lado de outros intelectuais, funda a lendária Ação Popular (AP), organização esquerdista de raízes cristãs. Com o cerco da ditadura militar, parte para o exílio. Volta ao Brasil em 1979.

Em 1981, cria a “mãe” de todas as ONGs brasileiras: Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase). Assim como os irmãos Henfil e Chico Mário, contrai HIV por transfusão de sangue. Funda a Abia, para mobilizar a sociedade a lutar contra a AIDS. Chico e Henfil morrem em 1988. Betinho não se entrega. Apesar da evolução da doença, concentra toda a força na luta por uma sociedade mais justa. Sem filiação partidária, batalha bravamente pela cidadania. Em 1993 lança a Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida, um dos mais importantes movimentos do gênero na história do Brasil.

Com discurso arrebatador, mobilizou empresários, artistas, trabalhadores, estudantes, presidiários, políticos. Lançou as bases de uma nova visão sobre a exclusão social. Virou amuleto cívico.

Morreu em agosto de 1997, mártir de sua frágil vida e da vida dos milhões de excluídos por quem lutou até o fim. São Betinho, nosso santo padroeiro.
 

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