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Kátia salvou uma parte, o resto virou papel de embrulho E-mail
Escrito por Danilo Ribeiro Gallucci   

11 de agosto - dia da consciência nacional
Grega de nascimento, suíça de formação e brasileira de coração, Kátia Queirós Mattoso inaugurou o ensino de História do Brasil na Sorbonne, uma das melhores universidades do mundo, em Paris. Vem ao Brasil em 1956 visitar o padrinho. Acaba por conhecer o homem com quem casaria e teria duas filhas.

É convidada para lecionar na Universidade Federal da Bahia durante um dos períodos mais duros de nossa história, de 1966 a 1980. Por causa da ditadura, precisa dar algumas aulas em casa. A bizantinóloga frustrada tem paixão por documentos. Nos anos 1970, em Salvador, uma comissão do Arquivo Nacional pretende jogar fora imensa documentação, e Kátia consegue abrigo para três caminhões cheios da papelada, um centésimo do total.

Na feira do dia seguinte vê pessoas embrulhando as compras com o que não foi salvo. Suas pesquisas chamam a atenção de gente importante, e a Universidade de Paris requer seus serviços. É avaliada em três etapas. Na última, um geógrafo pergunta ironicamente: "Para que uma cadeira de História do Brasil?"

Aparentemente, mulher não era bem-vinda. Silencia os colegas machistas ao se tornar a segunda mulher a lecionar no campus, a primeira na nova disciplina.

Pioneira da historiografia baiana recente, influencia gerações de pesquisadores. Sobre sua essência, diz: "Na Grécia, sou grega. Na França, sou nada. Vivi a maior parte da vida no Brasil."


SAIBA MAIS

Revista Nossa História nº 7 (Vera Cruz, 2005).

 

katia
 

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