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João precisou de senador para tocar pandeiro em paz E-mail
Escrito por Bruno Hoffmann   

19 de setembro - dia da música popular brasileira

O samba é um dos gêneros musicais mais populares do País, mas no começo do século passado era caso de polícia. Os músicos poderiam ser levados para a delegacia simplesmente por estarem “armados” com um pandeiro ou violão. João da Baiana não foi exceção. Negro, morador de subúrbio e sambista, era comum que autoridades confiscassem seu instrumento. “A polícia perseguia a gente. Eu ia tocar na festa da Penha e a polícia me tomava o instrumento”, disse décadas depois, já consagrado.

Ao mesmo tempo, parte da elite via qualidades na música dos morros cariocas. Entre os quais, o senador Pinheiro Machado, que costumava organizar festas em sua espaçosa casa no bairro de Laranjeiras. João da Baiana era sempre convidado. Num dia de 1908, porém, não apareceu. O político quis saber o motivo, e João confessou que a polícia havia tomado, mais uma vez, seu instrumento. Na mesma hora, Machado mandou fazer um novo e ordenou ao dono da loja que colocasse uma dedicatória no pandeiro: “A minha admiração, João da Baiana – Senador Pinheiro Machado”.

A dedicatória passou a valer como um escudo contra as investidas policiais. João, considerado o introdutor do pandeiro no samba, enfim teve paz para tocá-lo “até rasgar o couro”, como se diz.  Depois, o guardou como um amuleto. Nesse pandeiro, garantia, a polícia nunca meteu a mão.


SAIBA MAIS
Veja um vídeo de João da Baiana ao lado.
 

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