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Sob a roupa suja de pó e cimento, escondia-se um gênio E-mail
Escrito por Diego Norte   

26 de dezembro - dia do pedreiro

Angenor de Oliveira, nos idos de 1919, aos 11 anos, era apenas mais um menino que gostava de acompanhar a construção do Estádio das Laranjeiras, bairro carioca onde morava. Gostava também de samba e desfilou pela primeira vez fantasiado de diabo. Aos 15 anos, já no Morro da Mangueira, órfão de mãe e abandonado pelo pai, iniciou-se na construção civil.

Malandro, queria unir o útil ao agradável. Virou pedreiro: de cima dos andaimes, podia assobiar para as moças. Durante o descanso, reunia colegas, tocava seu violão e esboçava versos. A fama de pedreiro e sambista espalhava-se. Mas, segundo ele próprio, "não tinha tempo para trabalhar". Alternou a profissão e outros ofícios com a carreira musical. Porém, no trabalho entre pedras e tijolos, ganhou o nome que o tornaria célebre.

Vaidoso, não gostava de ficar com o cabelo sujo de cimento. Passou a usar chapéu. Simpatizou com o visual e o adotou até nas horas de folga. "Era um chapéu-coco, pra livrar da poeira na cabeça; fazia minha farrinha com aquele chapeuzinho. Aí começaram a me chamar de Cartola, e pegou."

O pedreiro Cartola ajudou a fundar a Escola de Samba Mangueira e escolheu as cores verde e rosa. É considerado por Nelson Cavaquinho e Paulinho da Viola o maior sambista de todos os tempos. O escritor João Antônio foi fundo: para ele, Cartola era um gênio.
 

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