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Bom de agulha, bom de bola, bom de samba E-mail
Escrito por Mariana Proença   

6 de setembro - dia do alfaiate

Clementino Rodrigues adorava jogar bola. Acabava um jogo, já entrava noutro. Páreo duro, em Salvador: "um riachão duro de cruzar", diziam. Daí o apelido que o segue até hoje, aos 83 anos. Compositor, sambista-símbolo da cultura baiana, Riachão compôs a primeira música aos 14 anos: Eu Sei Que Sou Malandro. Mas só a vida artística não lhe garantia o ganha-pão. Foi alfaiate: "Costurava ainda criança, só parei quando o salário do rádio deu para me sustentar."

Em 1944, entra na Rádio Sociedade da Bahia. Passa ali mais de 20 anos. Suas canções contam histórias da capital. Como Baleia da Sé, em que narra a exposição do maior dos mamíferos na praça, em 1959:

Olha, eu fui para a cidade despreocupado / Quando cheguei na Sé, vi um povoado / Oi, minha gente, fiz um perguntado / Responderam que a baleia é que tinha chegado.

Outro sucesso é Cada Macaco no Seu Galho, gravado por Jackson do Pandeiro, nos anos 1950, e por Caetano Veloso e Gilberto Gil na volta do exílio, início de 1970. Riachão gravou pouco, três discos. Em 2000, lançou a coletânea Humanenochum (tradução: Homem humano que ama a mulher e não a maltrata), com participações de Tom Zé, Dona Ivone Lara, Carlinhos Brown, entre outros. Um ano depois, sai o documentário Samba Riachão, do músico Jorge Alfredo. Fez sucesso nos festivais nacionais, mas só em 2004 chegou ao circuito comercial. História de uma vida dedicada à música baiana de raiz.


SAIBA MAIS
Samba Riachão (2001), documentário com direção de Jorge Alfredo.
 

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