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Pra ser sambista não precisa ser do morro E-mail
Escrito por João Rocha Rodrigues   

30 de janeiro - dia da saudade

Não se sabe ao certo onde Geraldo Filme nasceu, em outubro de 1927. A família era festeira. Depois do batizado, houve três dias de comemoração: para os jovens, samba na sala; para os velhos, batuque no quintal. “Eu só tinha que gostar disso”, concluiu.

Foi criado em São Paulo. A mãe o levava para festas do interior. Conheceu samba-de-Pirapora, samba-de-roda, samba-de-lenço. Aos dez anos, compôs a primeira música, para contestar o pai, aficionado pelo samba carioca:

Eu vou mostrar, eu vou mostrar / que o povo paulista também sabe sambar / Somos paulistas e sambamos pra cachorro / Pra ser sambista não precisa ser do morro.

Na capital, frequentava o Largo da Banana, onde carregadores de frutas formavam rodas de samba com instrumentos improvisados e jogavam tiririca - variante paulista da capoeira.

Integrou e dirigiu diversos cordões e escolas de samba, sempre valorizando a origem rural do samba paulista. Defendia que aí estava sua originalidade e qualidade. Tornou-se figura de destaque, compositor requisitado nos carnavais da cidade.

O samba paulista tomou outros rumos. Aproximou-se do samba e do carnaval carioca. Geraldo morreu em 5 de janeiro de 1995, aos 67 anos. Deixou apenas um disco, de 1980. No entanto, pode-se dizer que constitui, ao lado de Adoniran Barbosa e Paulo Vanzolini, a santíssima trindade do samba paulista.
 

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