11 de dezembro – dia do esperanto

O esperantista do serviço

Guimarães Rosa aprendeu língua universal em 27 dias

{dezembro de 2007}

Rosa: solução para a comunicação

Em 1929, o escritor Guimarães Rosa, já um jovem poliglota, é convocado para resolver um problema lingüístico. Com apenas 21 anos, trabalhava na Secção de Estatística do Estado, em Belo Horizonte. O chefe, Teixeira de Freitas, andava às voltas com a tradução das correspondências do exterior que chegavam diariamente, escritas nos mais diversos idiomas.
Estudante de Medicina, o jovem cordisburguense resolve padronizar a emissão das cartas. Seria feita somente em esperanto, idioma universal. Só o que precisava para isso era aprender a língua de Zamenhof, o que fez em apenas 27 dias. Virou “o esperantista do serviço”, segundo seu tio Vicente Guimarães.
Para o caso de o destinatário desconhecer a língua, as cartas recomendavam procurar o delegado local da Universala Esperanto-Asocio, instituição que difunde o idioma pelo mundo. Ele se encarregaria da tradução.
Guimarães Rosa considerava o esperanto a solução para a comunicação internacional. No Estado de Minas, escreve artigos sobre a língua. Em 1950, participa do 35º Congresso Mundial de Esperanto. Seu tio conta que uma prima, certa vez, perguntou ao escritor se ela poderia aprender esperanto tão facilmente quanto ele. A resposta, proferida com naturalidade, deve tê-la deixado desconcertada: “Você, minha linda priminha, sabendo um pouco de alemão, francês, russo, espanhol, italiano, grego e latim, e a gramática de algumas outras línguas, o esperanto se torna facílimo”.


SAIBA MAIS
Joãozito: infância de João Guimarães Rosa, de Vicente Guimarães (José Olympio, 1972).

Danilo Ribeiro Gallucci
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