Heróis brasileiros

{dezembro de 2004}

Comandante Rolim

Estive recentemente na exposição Senna Experience, no Shopping Eldorado, em São Paulo. Uma fila imensa se formava diante da entrada para ver suas atrações, uma exposição de carros de Fórmula 1, objetos e documentários sobre a vida de Ayrton, além de atrações virtuais, como uma volta a bordo do seu McLaren no circuito de Interlagos. Entre toda aquela gente, havia muitas crianças, levadas pelos pais não apenas como diversão, mas com um sentido educativo.
Como piloto, Senna perseguia objetivos individuais, levado pela própria natureza do seu esporte. Alçado à condição de ídolo, porém, percebeu que seu exemplo tinha grande importância para o Brasil. Um brasileiro que gostava de seu país, a ponto de levar consigo a bandeira nacional nas voltas da vitória, tinha a noção de quanto precisamos de heróis. Procurava a vitória, mas, quanto mais vencia, mais se dedicava aos outros, não só com preocupações sociais, como para mostrar o potencial que o brasileiro tem. O fato de ter morrido cedo, abreviação de uma trajetória em que poderia ter feito ainda mais, fez com que sua dimensão só aumentasse. Hoje, o exemplo de Senna permanece, caminha sozinho e se refletia nos olhares das crianças admiradas diante dos telões da exposição.
Em outro plano, o Comandante Rolim Adolfo Amaro também se tornou uma espécie de exemplo, alçado a uma condição especial, assim como Ayrton, pela morte precoce. Durante sua vida, sempre procurou a vitória individual. Em busca dos seus sonhos, conseguiu dinheiro e sucesso. Quanto mais sua empresa crescia, porém, mais Rolim percebia como seu exemplo era importante para o País. Mostrou que é possível vencer nos negócios com um comportamento ético, e quais são os valores que, aplicados às empresas, rendem não só frutos pessoais como podem melhorar um país.
Rolim, como Ayrton, morreu cedo e poderia ter feito mais. Não fez, mas seu exemplo também caminha sozinho. O Brasil, com tão poucos heróis, precisa cultuá-los.

Na coluna da edição passada, o doutor Carlos Alves de Seixas foi citado como mero “administrador” da fazenda Codeara, no Araguaia, em meados da década de 1960. Levei um pito. Na verdade, Seixas foi contratado por meio de sua empresa, a Seitec, para implantar o projeto da Codeara, e tinha assento no conselho diretor da empresa. A escorregadela está longe de lhe diminuir o prestígio. De todo modo, perdão, doutor Seixas, não fique bravo comigo.

Thales Guaracy
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