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25 – Abril de 2001

MÁRIO COVAS

VERDADEIRO ATÉ O FIM



“A franqueza foi a mais incontrolável de suas qualidades. Mas responsabilidade, compromisso e honestidade também foram traços de um caráter essencial para torná-lo paradigma de político. Zuza, para os íntimos, "espanhol" para os jornalistas, foi um homem de bem. Bem humorado, mas irritadiço e teimoso, fazia política com paixão.”

Creio na palavra, ainda quando viril ou injusta, porque acredito na força das idéias e no diálogo que é seu livre embate.” 1968. Com histórico discurso a favor da inviolabilidade do mandato parlamentar, o deputado federal Mário Covas, líder da bancada do antigo MDB, reanima um Congresso acovardado. Salva o mandato do colega Márcio Moreira Alves, que havia criticado violentamente as Forças Armadas. O episódio culmina com o AI-5 (Ato Institucional nº 5, que dava totais poderes à ditadura militar); o próprio Covas teria o mandato cassado. Perdeu os direitos políticos por dez anos.

PAIXÕES DA ADOLESCÊNCIA
Mário Covas Júnior nasceu em Santos (SP) a 21 de abril de 1930. O pai comprava e vendia café. O filho seria engenheiro civil. Num jogo de basquete conheceu Florinda Gomes, a Lila. Tiveram três filhos: as meninas, Renata e Silvia e o garoto, Mário Covas Neto. Outra paixão da adolescência que o acompanhou por toda a vida foi o futebol. Era centroavante goleador. Santista de coração, acompanhava os jogos do time por todo o País.

Aos 30 anos, estréia na política; é derrotado na disputa pela prefeitura de Santos. Em 1962 elege-se deputado federal. E durante a ditadura, participa da fundação do MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Os militares o prendem duas vezes por desafiar a ditadura; fica no ostracismo até 1979.

De volta a Santos, abre empresa de importação e exportação. Uma tragédia marca a vida da família. Sílvia, a segunda filha, morre em acidente de moto, no réveillon de 1976, aos 19 anos. Nunca mais a família comemorou a festa de fim de ano.

VOLTA POR CIMA
De volta à política, assume a presidência do MDB em São Paulo. Pela terceira vez, elege-se deputado federal, em 1982. No ano seguinte o governador Franco Montoro o nomeia prefeito de São Paulo (a ditadura havia cancelado eleições diretas para prefeitos das capitais, restauradas em 1985). Eleitorado recorde o elege senador em 1986. Em 1988 desempenha papel importante na Assembléia Nacional que redigiu a Constituição da redemocratização.

Com Franco Montoro, Fernando Henrique, José Richa e outros é um dos fundadores do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira). Por este partido, em 1989 disputa a presidência, com discurso em defesa de um “choque de capitalismo”. Ficou em quarto lugar, mas cresceu politicamente. Dizia então:
“Quero ser governador,
não quero ser presidente.”

Em 1990 foi derrotado na disputa pelo governo paulista. Eleito governador em 1994, deparou-se com R$ 70 bilhões em dívidas. Herdou um Estado semifalido. Arregaçou as mangas e enfrentou a missão de sanear as finanças paulistas. Privatizou, demitiu, cortou, adaptou. Comprou brigas, enfrentou corporações, encarou protestos, desapontou eleitores, sofreu desgaste político e até pedrada levou para cumprir adiante sua missão. Era o “espanhol” agindo. Realizou uma proeza. Sua bem-sucedida estratégia fiscal deixou o governo com as finanças em ordem, uma obra que não aparece e só é reconhecida tempos depois.

Em 1998, mesmo a contragosto, candidatou-se à reeleição. E venceu com quase 10 milhões de votos no segundo turno.

“TIVE DOR, TIVE MEDO”
Os problemas de saúde começaram em 1986, com um enfarte do miocárdio. Foi obrigado a reduzir drasticamente a cota de quatro maços de cigarros por dia. Doença e política passaram a estar cada vez mais interligadas.

Em 1998 enfrentou a primeira cirurgia para extrair um câncer da bexiga. Recuperou-se. Em outubro de 2000, volta o câncer. Nova cirurgia. Em entrevista coletiva, Covas chora. Verdadeiro até o fim, não esconde nada:
“Tive dor, tive medo. Tive tudo aquilo que um homem normal tem.”

Domingo de carnaval, 25 de fevereiro de 2001, é internado pela última vez. Sabe que o fim está próximo e recusa a UTI. Quer ficar ao lado da família. A 6 de março, o guerreiro morre ao amanhecer. A maciça presença popular na despedida demonstrou o que tantos disseram e dizem: Mário Covas entra para a história como exemplo de político de verdade.

 


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