Rei africano, derrotado em combate, é vendido como escravo. Na travessia do Atlântico, perde um filho e seus melhores soldados. Um dono de minas de ouro escolhe-o como quem simpatiza com um animal cansado. Marcham a pé para Vila Rica. Batizado de Francisco, os escravos, em voz baixa, dizem-lhe o nome cristão: Chico Rei. Silencioso e obstinado, trabalha sem repouso. Um dia, aparece com pepitas de ouro: o preço de sua mulher. O fazendeiro assina a carta de alforria da negra rainha. Mais tarde, Chico Rei também está livre.
Ajudados pela corte, economizam noite e dia o preço da liberdade dos filhos e vassalos. Depois
da missa e da procissão, rainha e vassalas
banhavam a cabeça
na pia de pedra do Alto
da Cruz. No fundo da pia, brilhando na água, ficava todo o ouro que enfeitava os penteados. Ano a ano,
Chico Rei restitui companheiros ao trabalho livre. Compra terra na Encardideira. Uma mina de ouro. Fica rico. Rei de manto e coroa, aclamado nas festas de Nossa Senhora do Rosário, Chico reinava pelo poder conquistado com lágrimas e martírios. Em 6 de janeiro, o Reino da África, brilhante de pedrarias, bailava pelas calçadas de Vila Rica.
Ninguém esquece nas terras livres das Minas Gerais a fisionomia de Chico Rei. O negro soberano, vencedor de destino, fundador de tronos, pela persistência, serenidade e confiança nos recursos do trabalho.
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