á muitos anos existia no Piauí um pescador pobre. Ia dormir, não rezava, era mal recomendado. Pescava no Rio Poti, nada
Seu nome era Crispim. Tinha a mãe por companhia. Velha e bondosa. Se infiltrou em seu corpo a sombra da maldição. Maltratava a mãe. Boa como só ela, deixava de comer e guardava comida para o filho. Um dia, Crispim foi pescar. Nada. Xingou o Poti.
A mãe notou que vinha diferente. Vendo seu desespero, trouxe um corredor de boi (osso da canela, que contém tutano).
CABEÇA DE CUIA
Fervido sem tempero. Botou numa cuia. O ódio invadiu o pescador, começou a gritar. Deu com o corredor na cabeça da mãe e ela não mais se levantou. Só disse as últimas palavras, das quais Crispim nunca mais se desvencilhou:
"Dessa noite em diante, endiabrado serás. Tu vais vagar pelas águas, até um dia encontrar sete Marias virgens. Mas isso vai demorar."
Ele arrepiou-se, a cabeça cresceu. Em monstro se transformou. No meio das águas, cabeça de cuia virou. Ficaram revoltos os rios. Foi quando se encontraram: Poti e Parnaíba. De um lado para outro o monstro vive a vagar.
Hoje, pescadores enxergam olho de fogo e ouvem gritos. O Poti tem sido mal-assombrado. Nas águas do Parnaíba muitos o viram chorando em noite de lua cheia. Procura pelas sete Marias virgens querendo voltar a ser gente. O povo vive com cuidado. Nas águas do Parnaíba sempre morre um afogado.
pegava. Voltava desesperado.