pela Terceira Margem, de São Paulo.
Dividida em dois volumes, A Mídia Cordel e Imaginário e Indústria Cultura trazem 18 entrevistas com poetas nascidos ou estabelecidos no Piauí, nas quais apresentam histórias de vida, iniciação ao cordel, processo criativo, influências, relações com o mercado e com os leitores.
Até então, a literatura de folhetos do Piauí tinha pouca presença nas antologias de cordel. Os temas variam. Há mitos, como o Cabeça
de Cuia, filho que matou a mãe e virou monstro;
o Mártir Gregório, que morreu de sede; o Rio Parnaíba; religiosidade, como a visita do Papa João Paulo II; política, como a morte de Petrônio Portela; ecológicos.
A tradição de cordéis vem do ciclo do gado, que marcou a formação do Estado, presença forte no imaginário de sua gente (veja mais em Viva o Brasil – Teresina).
Diferente da Paraíba, Pernambuco e Ceará, faltaram ao Piauí grandes editoras de folhetos. Os poetas recorreram a tipografias, mimeógrafos, sintonizada com o público. A produção ia para a banca de Antonio Manuel, no Mercado de Teresina. Miguel Folheteiro, analfabeto, sabia histórias de cor e reconhecia os títulos pelas capas. Uma loja improvisada, a kombi de Juvenal Evangelista, estacionada às margens do Parnaíba, também ficou famosa.

Poetas do Povo do Piauí pode ser encomendado à livraria Lua Nova (85 214-5488) a R$ 20,00 cada exemplar, mais o frete.
Entre 1986 e 1992, o jornalista cearense Gilmar de Carvalho pesquisou a literatura de folhetos no Piauí. Resultado: a obra Poetas do Povo do Piauí, lançada