“Mistura de vagabundo intelectual e garoto de bulevar”, como definiu um jornalista. O quase ilustre desconhecido José do Patrocínio Filho (1885-1929), o Zeca do Patrocínio ou Zé do Pato, era filho do famoso abolicionista. Poeta e cronista, perambulou em cargos diplomáticos por Paris, Londres, Amsterdã. Deixou três livros com aventuras típicas de um dândi da Belle Époque carioca, ignorado pela história das letras brasileiras. A Editora Antiqua resolveu relançar seu segundo livro, Mundo, Diabo e Carne, contos e crônicas escritos entre 1910 e 1920.
Em 1923, a obra foi anunciada como “estudos da agiotagem, da cocaína, do lenocínio, da feitiçaria, da vida contemporânea de uma grande cidade. O jogo, a politicagem e a pirataria, nos seus aspectos mais emocionantes”. Oitenta anos depois, parece atual. Mas perto da nossa vida contemporânea, as histórias de Zeca soam românticas: ainda era possível pensar na “alma encantadora das ruas”, desvelada pelo boêmio madrugador que vai para casa no último bonde levando histórias de noitadas, jogos e pecados da carne ou “folias de amor”.
Na introdução, Zeca expõe os porquês do livro, com um final reconfortante: “O catecismo faz a síntese da vida, quando aponta os três inimigos do homem: Mundo, Diabo e Carne […] A virtude é um atalho sobre a face da terra: a estrada real leva a Sodoma e a Gomorra […] Mas, em verdade, que importa? O essencial é que não nos falte, à hora da morte, a absolvição da Santa Madre Igreja, e, durante a vida, o pão, às vezes amargo, de cada dia… Amém!” Informações: www.editoraantiqua.com.br
ORGIAS DA BELLE ÉPOQUE SEGUNDO ZÉ DO PATO