13 DE JULHO – DIA MUNDIAL DO ROCK

RADICAL

Passeata antiguitarra arrastou até o elétrico Gilberto Gil

{julho de 2005}

Jair Rodrigues, Elis Regina, Gilberto Gil e Edu Lobo.

Jovem Guarda ou O Fino da Bossa? Não havia jeito: ou você estava com um ou com outro. Ambos, programas da TV Record; ambos, criados em 1965.
Jovem Guarda, liderado pelo trio Roberto-Erasmo-Wanderléa; O Fino da Bossa, por Elis Regina-Jair Rodrigues. O primeiro mostrava jovens de jeans tocando guitarras elétricas; o segundo levantava o status da MPB (música popular brasileira) e segurava firme as tradições.
Uma nova geração de cantores-compositores, como Caetano Veloso e Gilberto Gil, implodiria esses conceitos limitadores e emergiria com o tropicalismo, onde havia espaço para todas as referências.
Mas, em 1967, pouco antes do revolucionário disco-manifesto da tropicália, alguns mais tradicionalistas, como Geraldo Vandré, Edu Lobo e Elis Regina, participaram de uma passeata “contra as guitarras elétricas e a influência da música norte-americana”, no dia 17 de julho de 1967.
Sem conseguir dizer não a Elis, Gil marcou presença na marcha. O mais irônico: meses depois, ficaria com o segundo lugar no 3º Festival de MPB da Record, com Domingo no Parque. A seu lado, o conjunto de rock Os Mutantes, empunhando “desafiadoras” guitarras elétricas.
De uma janela, assistindo à passeata com receio, Caetano comentava com a amiga Nara Leão:
“Acho isso muito esquisito.”
E Nara:
“Esquisito, Caetano? Isso aí é um horror! Parece manifestação do Partido Integralista. É fascismo mesmo!”


SAIBA MAIS
Tropicália, de Carlos Calado (Editora 34, 1997).

Ronaldo Evangelista
Nenhum comentário. Comente!
Compartilhar



Tags: , , , , , , , ,