Sem tempo para o medo, Marighella ficou 10 anos no silêncio

{dezembro de 2009}

Segundo enterro de Marighella, em Salvador.

Na lápide de Carlos Marighella, em túmulo desenhado por Oscar Niemeyer, o epitáfio: “Não tive tempo para ter medo”. Mas o militante político não descansou sob ela desde que morreu. Ex-presidente do Partido Comunista e liderando a Aliança Nacional Libertadora (ANL), Marighella era um dos inimigos mais procurados pelo governo militar brasileiro. Foi morto em 1969, num tiroteio que não existiu – uma emboscada que envolveu 45 policiais. Trataram de enterrá-lo logo, quase como indigente, em São Paulo.
A família precisou esperar a Lei de Anistia para velar o corpo e resgatar sua imagem pública. Em 10 de dezembro de 1979, Dia Universal dos Direitos Humanos, os restos mortais foram levados de São Paulo para Salvador, com atos políticos nas duas cidades. Palavras de Jorge Amado para o segundo enterro: “Retiro da maldição e do silêncio e aqui inscrevo seu nome de baiano: Carlos Marighella”. Desde então, todos os anos, a morte é lembrada com homenagens.

Saiba mais
Carlos Marighella: O inimigo número um da ditadura militar, de Emiliano José (Sol e Chuva, 1997).

Natália Pesciotta
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