Um caso de viajante

{novembro de 2005}

Ninguém conhece e conta mais piadas do que os viajantes, aqueles representantes de empresas que saem pelo interior do Brasil, fazendo suas visitas aos clientes e renovando seus pedidos.
Como passam por muitos lugares e convivem com muita gente, é bem explicável o carroção de histórias engraçadas que eles passam a contar.
Essa gente maravilhosa deixa suas famílias para trabalhar viajando por este País grande e, pra empurrar a vida, tem de aprender histórias engraçadas para repassá-las adiante.
Conheci um viajante japonês que era um verdadeiro artista na arte de contar piadas e fazer imitações. Tem uma história dele que quero contar agora.
Um viajante, seguindo por uma estrada, tenta localizar uma pousada, pois já passava da meia-noite. Sem encontrar uma casa especializada, arrisca pedir pouso na casa de um caipira que já ia para o quinto sono.
Viajante [bate na janela da casinha] – Ô de casa? O senhor poderia deixar eu dormir esta noite em sua casa? Eu pago bem. Não consigo nenhuma pensão por esta estrada.
Caipira [de dentro da casa, meio sonolento] – O sinhô por acaso trouxe cobertô?
Viajante – Não, senhor. Não tenho cobertor comigo, não.
Caipira – O sinhô por acaso trouxe lençór?
Viajante – Claro que não, meu amigo. Estou viajando apenas a trabalho.
Caipira – O sinhô trouxe então trabicêro?
Viajante – Meu senhor, por favor, eu preciso de uma noite de sono e não trouxe nada disso que o senhor está falando.
Caipira [na bucha] – Qué dizê que de drumí o sinhô só trouxe os óio, né?

Rolando Boldrin
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