No interior de Pernambuco, perto de Vitória de Santo Antão, o Engenho Galiléia era "fogo morto": desativado. Ali, 140 famílias produziam alimentos e algodão. Pagavam aluguel anual ao dono. Ameaçados de despejo, se organizaram.
Surge, em 1º de janeiro de 1955, a Sociedade Agrícola e Pecuária dos Plantadores de Pernambuco, que ganhou fama como Liga Camponesa.
Liderada por Zezé, o objetivo era fundar uma escola, organizar um fundo funerário e obter implementos agrícolas. Procuraram ajuda do advogado Francisco Julião, que virou símbolo da luta pela reforma agrária. Em 1960, a Liga contava 70 mil associados no Nordeste. O Hino do Camponês cantava a vontade de mudar:
Não queremos viver na escravidão / Nem deixar o campo onde nascemos / Pela terra, pela paz e pelo pão / Companheiros, unidos venceremos.
Há 39 anos, fundaram a Federação das Ligas Camponesas de Pernambuco. "Um rio que ia crescendo", dizia Julião. Em 1964, o golpe militar selaria o fim das Ligas.