Bastava chegar o carnaval, lá estavam os limões de cheiro, bisnagas d’água, farinha, tinta, quando não baciadas de excrementos e outras agressões. Entrudo, brincadeira de rua, conhecido desde a chegada dos portugueses, era atividade violenta. Escravos descontavam as diferenças nos senhores; e senhores ficavam nas sacadas sujando quem passasse embaixo. Não escapava ninguém, até o imperador Pedro I brincava – em casa, é claro.
Jornais faziam campanhas pela pacificação da festa, até que, em 14 de fevereiro de 1857, no Rio, O Jornal publica a primeira censura ao entrudo. Delegado de polícia da corte, Antônio Rodrigues proíbe a brincadeira sob pena de oito dias de cadeia e multa de 4 a 12 mil-réis.
Não adiantou. Quando chegava o sábado de carnaval, a população não via a hora de ir para a rua se esbaldar, zombando até a Quarta-Feira de Cinzas. Ao longo do tempo, confete, serpentina e lança-perfume acabaram civilizando o entrudo.
Entrudo, ilustra??o de Debret. Reprodu??o EA