apertadas, envolviam o tronco. No século 17 surge o espartilho. Usá-lo era o problema. A mulher deitava de bruços e pedia ajuda à mãe, marido, criada ou amante, que lhe punha um pé sobre as costas e puxava com força os cordões. A mulher podia não respirar direito, desmaiar, ficar pálida. Tudo pelo visual: seios empinados, saltando do vestido, cintura de pilão.
Em 1889, a francesa Herminie Cadolle cortou um corpete e criou o primeiro sutiã. A americana Mary Jacob, cansada do aperto, criou peça levíssima, apenas dois lenços de seda costurados a um pedaço de fita cor-de-rosa, presos a um cordão amarrado às costas. As amigas adoraram, e Mary registrou patente em 1º de novembro de 1914. Não eram exibidos. Nos catálogos nada de fotos, só desenhos. Foram queimados em praça pública na década de 1960, símbolo de opressão. No Brasil, o primeiro outdoor de sutiã é de 1970, close de um busto generoso. Parava o trânsito.
Segundo ano da Era Vargas. O Brasil ganha nova legislação
eleitoral. Entre outros avanços, institui o voto secreto e o estende às mulheres. Antes disso, há registro de apenas alguns casos de participação política feminina em poucos Estados.
No ano seguinte, realizam-se eleições para a Assembléia Constituinte. Em 15 de novembro de 1933, começam os trabalhos: 254 deputados eleitos. Entre eles, uma única mulher, a médica paulista Carlota Pereira Queiroz, primeira deputada federal da América Latina. A Revista da Semana publicou, em 13 de maio de 1933:
Graças ao eleitorado feminino, o voto adquiriu foros de cidade e elegância. Em São Paulo a mulher foi a sereia de um milagre cívico. A gaúcha também aproveitou o grato ensejo para revelar a flor do seu élan patriótico. A mineira, discreta e meiga (…). A nortista, num dengue de brasilidade memorável. A carioca (…) votou por si, ora escolhendo nomes lavados em água-benta, ora sufragando um candidato diabolicamente irresistível – o causídico Heitor Lima, o campeão do divórcio.
a Antigüidade, as romanas usavam strophium ou mamillare, faixas amarradas às costas para suspender os seios. Na Idade Média, bem
primeiro voto feminino